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9 coisas que você deveria saber sobre a criação do estado de Israel moderno

Este ano, o estado de Israel moderno vai estar celebrando 71 anos de sua declaração de independência. Aqui estão nove coisas que você deve saber sobre a criação do estado de Israel moderno:
 
1. No ano de 138, a antiga nação de Israel cessou de existir quando o imperador Adriano esmagou a revolta de Bar Kochba e baniu todos os judeu da região da Palestina (ou seja, a região bíblica conhecida como a Terra de Israel). A terra foi conquistada por várias nações até 1517, quando foi controlada pelo Império Otomano. Os otomanos reteram este controle até 1917, quando os britânicos capturaram Jerusalém durante a Primeira Guerra Mundial.
 
2. Por volta de 1850, apenas 14 mil judeus havia conseguido permanecer na Palestina. Mas em 1881, como reação ao crescente antissemitismo na Europa e Rússia, várias organizações Hovevei Zion (Amantes de Sião) foram estabelecidas com o objetivo de ampliar a presença judaica na área. Os grupos Hovevei Zion foram os precursores do Sionismo moderno, o movimento nacional pelo retorno do povo judeu a sua terra e pela soberania judaica da terra de Israel.
 
3. Theodore Herzl, oficialmente reconhecido na Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel como ‘o pai espiritual do Estado Judeu’, iniciou o movimento sionista moderno em 1896. Em seu panfleto Der Judeenstaat (O Estado Judeu), Herzl considera a ‘questão judaica’:

“Tudo tende, na verdade, a mesma conclusão, que é enunciada na clássica frase de Berlin: “Juden Raus” (Fora, judeus!)
 Coloco essa questão da forma mais breve possível: Vamos embora agora e pra onde? Ou ficaremos? Por quanto tempo?”

Ele respondeu essa questão propondo um estado judeu:

“O plano inteiro é perfeitamente simples em sua essência, como deve ser quando se compreende tudo. Que a soberania nos seja garantida em uma porção do globo, grande o suficiente para satisfazer nossos requerimentos de direito como nação, e daí, lidaremos com nossos problemas por nós mesmos.”

Herzl também propôs dois locais possíveis para a terra: A Palestina e a Argentina. “Devemos tomar o que nos é dado, e o que for escolhido pela opinião pública judaica”, disse.

 
4. Em 1897, Herzl começou a colocar seu plano em prática ao realizar o primeiro Congresso Sionista em Basiléia, na Suíça. Neste congresso simbólico, referido como o Congresso de Basiléia, o grupo adotou o Programa Basiléia com o seguinte objetivo: “O Sionismo busca estabelecer um lar para o povo judeu na Palestina protegido segundo lei pública.” Algumas semanas após o evento, Herzl escreveu em seu diário: “Se eu fosse resumir o Congresso de Basiléia em uma palavra — a qual me guardo de dizer publicamente — seria esta: Em Basiléia fundei o Estado Judeu. Se eu dissesse isso em voz alta hoje, eu seria recebido com riso por toda parte. Mas, em cinco anos, talvez, e certamente em cinquenta anos, todos perceberão que isso é verdade.”
 
5. Durante a Primeira Guerra Mundial, os Aliados expulsaram os turcos da Síria Otomana. Em 1917, o governo britânico anunciou seu apoio ao estabelecimento de ‘um lar nacional para o povo judeu’, numa declaração de 67 palavras, conhecida como ‘A Declaração de Balfour’:

“O governo de Sua Majestade vê com favor o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo Judeu, e usará de seus melhores recursos para facilitar o conquista deste objetivo, sendo claramente entendido que nada deve ser feito em prejuízo dos direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e status políticos dos judeus em outros países.”

Depois da guerra, os britânicos controlaram a área da Palestina e receberam um mandato da Liga das Nações para administrar o território. Sob a administração britânica, o território era chamado muitas vezes de Mandato Palestino.

6. A população judaica na Palestina cresceu entre 1919 e 1923, enquanto os judeus fugiam da perseguição na Rússia e na Ucrânia. Esse fluxo de judeus, junto com a Declaração de Balfour, levaram os habitantes árabes da terra a desenvolver seu próprio movimento político, conhecido como nacionalismo palestino. Um levantamento nacionalista liderado árabes palestinos levaram a Grande Revolta de 1936–1939. Essa insurreição levaram os britânicos a propor a partição da terra entre um estado árabe e outro judeu. Os árabes rejeitaram a proposta.
 
7. Em 1939, os britânicos começaram a limitar a imigração judaica para a Palestina. Mesmo após o Holocausto criar uma crise de refugiados judaicos pela Europa, o Reino Unido se recusou a tirar a limitação. Milhares de judeus morreram tentando chegar na Palestina de barco, e milhares foram pegos ou voltaram. O governo americano apoiou uma movimentação que permitiu 100 mil novos imigrantes na região, o que instigou os britânicos a abandonarem o Mandato Palestino e deixarem a questão para ser resolvida pelas Nações Unidas.
 
8. Em 15 de maio de 1947, as Nações Unidas criaram o Comitê especial sobre a Palestina, com representantes de 11 nações ‘neutras’: Austrália, Canadá, Tchecoslováquia, Guatemala, Índia, Ira, Holanda, Peru, Suécia, Uruguai e Iugoslávia. Foram oferecidas duas propostas para resolver a ‘questão palestina’. O primeiro plano, apoiado pela maioria do comitê, recomendou que a terra fosse dividida entre um estado árabe e outro judaico, com Jerusalém sob controle internacional. O segundo plano, apoiado pela minoria do comitê, propunha uma união federativa entre árabes e judeus com Jerusalém como capital. Os Sionistas aceitaram a solução dos dois estados, e os árabes rejeitaram a ambas. Em 29 de Novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU (Nota do tradutor: A Assembleia especial estava sendo presidida pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha) adotou o plano de partição como a Resolução 181 (II). Pouco tempo depois, foi iniciada uma guerra civil dentro do Mandato Palestino.
 
9. Em 14 de maio de 1948, o mandato britânico sobre a Palestina expirou, e o Conselho do Povo Judeu decidiu proclamar o estabelecimento do Estado de Israel. Este dia é celebrado em Israel como o Yom Ha’atzmaut (Dia da Independência). Já que Israel declarou sua independência no dia 5 de Iyar do calendário hebreu, a data se move todos os anos. Em 2018, o aniversário ocorreu em 18–19 de Abril.
 
 

Por Joe Carter para o The Gospel Coalition. Traduzido por Rilson Guedes. Joe Carter é jornalista e editor do The Gospel Coalition. Você pode encontrá-lo no Twitter.


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