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Como participamos no trabalhar de Deus

“Assim, descobri que o melhor e o que vale a pena,” diz o Pregador, “é comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus dá ao homem, pois essa é a sua recompensa.” (Eclesiastes 5:18)

“Todo o esforço” é o trabalho que é incessante, extremamente difícil e exaustivo. Não parece muito atraente, não é? Então por que o Pregador diz que tal trabalho é bom? Porque, diz ele, “quando Deus concede riquezas e bens a alguém, e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus. Raramente essa pessoa reflete no fato de que a sua vida é curta, porque Deus o mantém ocupado com a alegria do coração.” (Eclesiastes 5:19,20)

Uma das razões pelas quais podemos ser “felizes em nosso trabalho” e fazer isso com “alegria do coração” é ao reconhecer que através de nosso trabalho participamos no trabalho de Deus. Como Amy L. Sherman escreve em “O chamado do Reino: Mordomia vocacional para o bem comum” (Kingdom Calling: Vocational Stewardship for the Common Good).

O trabalho não é mau, nem é um efeito do pecado. Essa verdade pode ser difícil para congregantes confiarem quando estão frustrados em seus trabalhos ou insatisfeitos com as suas carreiras. Mas é certamente verdade que a maldição de Gênesis 3 trouxe esforço e futilidade ao trabalho. Desde então, nossa experiência com o trabalho envolve dor assim como prazer. Mas o trabalho em si é bom. Ele tem um valor intrínseco.

Nosso trabalho tem valor intrínseco porque, como Sherman acrescenta, somos “feitos à imagem de Deus, e Deus é trabalhador.”

Trabalhando como Deus, trabalhando com Deus

Porque somos feitos à sua imagem, Deus usa os nossos trabalhos para servir as necessidades de nosso próximo. Na verdade, para a maioria de nós a tarefa com a qual nos engajamos em nossos empregos é a forma primária em que servimos ao próximo. Deus deve portanto ser, como diz Robert Banks, o nosso “modelo vocacional”.

Em seu livro “Fé que vai trabalhar: Reflexões do mercado de trabalho” (Faith Goes to Work: Reflections from the Marketplace), Banks descreve os vários tipos de trabalho que Deus realiza e como podemos imitar a Deus por meio de nossas vocações:

Trabalho redentivo (Ações de Deus para salvação e reconciliação) – Este é o tipo de trabalho que frequentemente associamos ao ministério (pastores, evangelistas, conselheiros, etc.), ainda que também possa incluir ocupações como artistas, escritores, compositores e outros que incorporam elementos redentivos em suas produções criativas.

Trabalho criativo (Deus modelando o mundo físico e humano) – “Enquanto apenas Deus pode criar algo do nada” diz Art Lindsey, “nós podemos criar algo de algo – e somos chamados a esta tarefa criativa.” “Sub-criadores” era o termo favorito de J. R. R. Tolkien e Francis Schaeffer para descrever este tipo de trabalho. Mas outros estudiosos, como Lindsey nota, usam o termo “co-criadores”, indicando que nós participamos com Deus em atos criativos. Tais trabalhadores incluem artistas de vários tipos (músicos, poetas, escultores, etc.), artesões (carpinteiros, tecelões, metalúrgicos, etc.) e aqueles que desenham (arquitetos, designers de moda, planejadores urbanos, etc.).

Trabalho providencial (A provisão de Deus para sustentar os humanos e a sua criação) – “O trabalho da divina providência inclui tudo o que Deus faz para manter o universo e a vida humana com ordem e de forma benéfica,” diz Banks. “Isto inclui conservar, sustentar e reabastecer, assim como criar e redimir o mundo.” Quase todo emprego que cria ou mantém ordem se encaixa nesta categoria. Criar e manter ordem é um papel de muitas esferas, como o governo (políticos, servidores públicos, funcionários locais), segurança pública (bombeiros e policiais), meio ambiente (jardineiros, zeladores, coletores de lixo), econômico (estatísticos, economistas, balconistas de supermercado), entre outros.

Trabalho de justiça (A manutenção divina da justiça) – Juízes, advogados, assistentes jurídicos, secretários legais, policiais penais, guardas e diplomatas participam do trabalho de manutenção da justiça.

Trabalho de compaixão (O envolvimento de Deus em confortar, curar, guiar e pastorear) – Papeis que refletem este aspecto do trabalhar de Deus inclui doutores, enfermeiras, paramédicos, psicólogos, terapeutas, trabalhadores sociais, farmacêuticos, diretores de ONGs, técnicos de emergência médica, conselheiros, etc.

Trabalho de revelação (O trabalho de Deus para iluminar com a verdade) – Professores, cientistas, jornalistas, acadêmicos e a maioria dos escritores estão envolvidos neste tipo de trabalho.

A chave para estar “felizes em nosso trabalho” é reconhecer qual modelo vocacional nosso trabalho reflete – e reconhecer que tal labor tem valor. Em que categoria o seu emprego se encaixa? Como conhecer onde ele se encaixa te ajuda a apreciar seu papel em servidor do Reino de Deus? Que possamos refletir em como Deus usa o nosso trabalho para imitar o Seu.


Escrito por Joe Carter para o The Gospel Coalition. Traduzido por Rilson Joás para o Narniano.


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