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Sou vendedor e cristão. Como posso demostrar amor e permanecer fiel?

Trabalho na área de vendas, mas às vezes tenho dificuldade em conectar meu emprego com o propósito de Deus para mim. Quando trabalhamos com vendas é óbvio que devemos convencer alguém a comprar. Mas como posso vender de maneira que possa ao mesmo tempo amar as pessoas e alcançar minhas metas?

Poucas profissões sofrem de tantos estereótipos negativos como a de um vendedor. E existe um bom motivo para isso. Muitos de nós sabemos como é receber um discurso gigante pra comprarmos um carro ou como é aguentar uma conversa sobre maquiagem onde o desejo do vendedor de alcançar uma meta é maior do que a nossa necessidade pelo produto. Este desconforto que sentimos aponta para a existência de um caminho melhor.

Quando reajustamos nosso pensamento sobre as vendas para encarar as mesmas como uma forma de viver o segundo maior mandamento – de amar nosso próximo como a nós mesmos – nós abrimos um caminho para um sucesso nas vendas que realmente honra a Deus.

Conheça os seus clientes

Muitos dos vendedores que treino têm metas de vender milhões pra ganhar bônus na casa dos milhares de dólares. O princípio que ensino para eles é que foquem nas pessoas para quem estão vendendo, em vez de focar no que ou no quanto estão vendendo. Produtos e serviços não são o propósito maior nem um fim em si mesmos, mas o meio pelo qual solucionamos problemas ou criamos oportunidades. Não apenas para as empresas para quais vendemos, mas também para as pessoas que trabalham nelas. E quando se trata de conhecer os clientes como pessoas, os cristãos possuem um grau de conhecimento sobre o significado delas que o mundo não conhece.

O que importa mais sobre as pessoas para quem vendemos não é o seu cargo nem o título que elas possam ter no seu perfil do LinkedIn. É o fato de que são seres humanos criados à imagem de Deus, possuindo toda a beleza e todos os defeitos que a humanidade carrega. Basear o seu relacionamento com eles nesta verdade vai lhe ajudar a ver seus clientes não como perfis a serem estudados para vender mais rápido, mas como pessoas que são nossos próximos, a quem Jesus nos ordenou amar (Marcos 12.31).

Pegando emprestada uma ideia de Tomás de Aquino, colocada em linguagem atual por Jen Wilkin: “O coração não pode amar o que a mente não conhece.” A jornada para amar nossos cliente começa quando conhecemos a eles e ao mundo em que habitam. Devemos nos perguntar: No que eles trabalham? Há algo no caminho de seu sucesso que podemos ajudar? O que está acontecendo com no mundo deles que poderia afetar o seu trabalho e que está a nossa disposição?

Quando você colhe informações do que seu cliente precisa, você está ecoando (ainda que de forma imperfeita!) a maneira em que o Pai conhece as nossas necessidades e trabalha para supri-las (Mateus 6.26).

Servindo através das vendas

O próximo passo é disponibilizar seu produto ou serviço como o jeito mais efetivo ou útil para suprir as necessidades dos seus clientes, ao resolver um desafio ou criar uma nova oportunidade para o sucesso deles. Fazer isso com integridade requer de nós o entendimento das diferentes opções do cliente. Desde não fazer nada até a chance dele só resolver sua necessidade com alguém da nossa competição. Assim podemos guiar os clientes para a melhor solução para a situação deles.

O desafio de permanecer íntegro é enorme aqui, é claro. Mas se o seu produto não atente a uma necessidade genuína do cliente, o amor ao próximo requer que sejamos honestos sobre isso. Não deixando isso de lado para que o cliente compre algo que não precisa.

Se você tem alguma autonomia quanto a preços e descontos, use essa autonomia para negociar termos que beneficiem os clientes, e não para explorar da sua situação. Fazer o contrário disso é entrar em práticas desonestas em busca do lucro que trai a confiança do cliente, trazendo problemas para você (Provérbios 15.27), e desagradando a Deus (Provérbios 11.1).

Se você entra mais em situações onde precisa vender mais que servir, ou onde as tentações para pegar atalhos é o único caminho para o sucesso. Isso indica que é hora de encontrar um produto ou um serviço diferente para vender. Mas quando você está num lugar onde as soluções que você oferece podem fazer a diferença na vida de seus clientes, você pode se alegrar ao se dedicar no bom trabalho de vender para servir necessidades reais. Se você permanecer assim, seu trabalho terá frutos. “Nosso povo deve aprender a fazer o bem ao suprir as necessidades urgentes de outros; assim, ninguém será improdutivo” (Tito 3.14).


Por Rachael Starke para o The Gospel Coalition. Ela é executiva na área de vendas no Vale do Silício há quase 20 anos. Você pode encontrá-la no Twitter. Traduzido por Rilson Guedes para o Narniano.



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