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Quatro pessoas são presas na Índia sob lei anti-conversão

Um cristão coreano e mais três indianos foram presos no estado ao estarem alimentando pobres sob a nova lei anti-conversão do estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país. A acusação é de que eles estariam comprando as pessoas a se converterem ao cristianismo.

O organizador da ajuda, Raj Kumar Masih, negou essa acusação e disse que nem todos os presos eram cristãos, mas apenas estavam ajudando. “Temos provas de como fazemos nossa distribuição e nomes e números de nossos doadores, e podemos testificar que não pedimos que ninguém mude de fé ou religião. Todos os beneficiários receberem kits básicos, e não se prometeu dinheiro a ninguém.”

O cristão coreano Mi Kyung Lee estava visitando a Masih quando teve que ficar no país por causa da pandemia.

Este foi o primeiro caso de prisões sob a nova lei, criada para combater todas as conversões ilegais. Segundo Masih, eles foram presos por ataque de nacionalistas hindus. “Ninguém perguntou o lado deles da história,” comentou.

As leis anti-conversão na Índia

Desde a primeira eleição de Narendra Modi em 2014, a Índia subiu dezoito posições no ranking mundial de perseguição da ONG Portas Abertas. Isto acontece junto ao crescimento do movimento Hindutva, que afirma que todos os indianos devem ser hindus, e novas leis anti-conversão que têm sido aprovadas em vários estados do país. Leis similares existem em Odisha, Madhya Pradesh, Arunachal Pradesh, Chhattisgarh, Gujarat, Jharkhand, Himachal Pradesh e Uttarakhand.

As assembleias locais têm aprovado estas normas com o argumento de que as conversões são compradas ou que elas acontecem por motivos não-religiosos. Esta é a opinião de Prapat Sarangi, membro do gabinete de Modi, ex-líder de um movimento acusado de matar o missionário Graham Staines e seus dois filhos. “Conversões ocorrem em todas as partes do país por fraude, força ou sedução. Isso é ilegal e sujeito a punição pela lei,” comentou ele. 

Segundo a Federação de Indianos Cristãos da América do Norte (FIACONA, em inglês), é lamentável o fato do governo norte-americano não ter se pronunciado sobre a crescente perseguição aos cristãos no segundo país mais populoso do mundo, depois da China. “O governo federal (indiano) permitiu violência contra minorias e suas casas de adoração para que a impunidade continue,” disse o grupo.

“O governo liderado pelo partido nacionalista hindu BJP continua a afirmar convenientemente que os casos de violência contra os cristãos na Índia são indicentes isolados. E que não tem nada a ver com as políticas do governo,” concluíram.

A Índia atualmente se encontra em décimo lugar no índice de perseguição da ONG Portas Abertas, com números de casos em aumento a cada ano.


Com informações do Christian Post e da ONG Release Internacional.


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