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31 anos após massacre na China, milhares oram por paz e democracia em Hong Kong

Milhares de pessoas saíram às ruas de Hong Kong para pedir por democracia, liberdade de expressão, liberdade religiosa e fim da ditadura chinesa no aniversário de 31 anos do massacre ocorrido na praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em Pequim.

A polícia havia levantado barricadas em torno do Parque Vitória para prevenir que as pessoas protestassem, mas isso não impediu os honcongueses protestassem. Muitos deles se reuniram com velas nas mãos e com pedidos por “Democracia” e por “Liberdade a Hong Kong”. Enquanto outros, temendo pela repressão policial, escolheram se reunir nas igrejas.

Atualmente, os templos só podem receber metade de sua capacidade devido a pandemia do coronavírus, mas milhares se juntaram neles para fazer orações pela paz. Em uma das igrejas da ilha, foi projetada a mensagem: “Não temas, Deus está contigo”. E foi pregado um sermão sobre a passagem dos israelitas pelo deserto.

Yaffa Lai foi um dos que escolheram ir até uma igreja por temer a repressão nas ruas. “Sempre quisemos chamar a atenção para o que aconteceu em 4 de Julho (de 1989), e sempre quisemos mostrar apoio àqueles estudantes. Mas parece que agora os honcongueses estão perdendo o direito de apoiar e comemorar o ato deles”, complementou Lai. Se referindo a proibição por parte do governo chinês de que os protestos ocorressem este ano. Além das novas restrições sobre a ilha.

Porque Hong Kong protesta

Quando a Grã-Bretanha entregou Hong Kong de volta a China em 1997, os países firmaram um acordo que permitia que Hong Kong continuasse com um sistema de governo e um sistema econômico próprios. E desde então, a ilha optou pela democracia, pela liberdade de expressão e pelo capitalismo.

Essa política foi conhecida como ‘um país, dois sistemas’. Segundo o acordo feito entre Grã-Bretanha e China, a duração da autonomia de Hong Kong deveria ser de 50 anos, ou seja, que só se encerraria em 2047. E entre os defensores da autonomia estão muitos cristãos, já que a região é hoje o lugar mais seguro para evangelizar no país. Além de se poder realizar treinamentos, receber doações do exterior, postar em redes sociais proibidas na China e se comunicar com missionários do resto do mundo.

Mas o governo chinês tem avançado cada vez mais no projeto de subjugar Hong Kong às decisões de Pequim. Por este motivo, ocorrem grandes manifestações pela autonomia da ilha desde o ano passado. Os protestos haviam diminuido devido ao coronavírus, mas voltaram a ser realizados nas últimas duas semanas após uma declaração de novas intenções por parte do Partido Comunista. Na convenção anual, o Partido aprovou uma Lei de Segurança Nacional para impor medidas duras em Hong Kong e promover uma nova política de ‘um país, um sistema’. Acabando na prática com a democracia e com as liberdades da ilha.

Apesar de críticas da comunidade internacional sobre a perda de soberania de Hong Kong, até o momento o Partido Comunista Chinês não voltou atrás. Por isso, a realização de protestos no dia em que o governo chinês atacou milhares de estudantes em 1989 é tão simbólica.

Entenda o massacre de 1989

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Até a década de 80, a China era um dos países mais fechados do mundo e estava regido por um regime altamente socialista. Os historiadores concordam que pelo menos 18 milhões de pessoas morreram de fome do período do programa Grande Salto Adiante. Mas isso começou a mudar com as reformas econômicas de Hu Yaobang, que abriram economicamente o país e diminuiram o peso econômico do Partido Comunista Chinês (PCC), permitindo o crescimento vertiginoso da economia chinesa até hoje.

Quando Yaobang faleceu de ataque cardíaco em 1989, centenas de milhares de estudantes saíram pacificamente às ruas de todo o país pedindo por maiores reformas, que incluíssem liberdade de expressão, liberdade religiosa e democracia. Entretanto, com protestos cada vez maiores, e com mais de um milhão de pessoas reunidas na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), o Partido Comunista Chinês temeu pela perda do poder e ordenou Lei Marcial.

O que se seguiu foi um massacre. Não se sabe o número exato de mortes, mas se estima que foram dezenas de milhares de chineses que perderam a vida ao pedir por liberdade.

Hoje o episódio é fortemente censurado pelo governo chinês. Ele não aparece nos livros de história e foi removido da internet chinesa, altamente controlada pelo Partido.

A igreja na China

Segundo a ONG Portas Abertas, a China subiu para a 23ª posição em 2019 entre os países que mais perseguem cristãos. Dois anos antes, o país era o 43º em restrições ao cristianismo. Só em 2018, a China proibiu a venda de Bíblias online, implantou sistemas de segurança por vídeo em algumas igrejas e fechou os templos de três das maiores igrejas subterrâneas do país. E este ano, o governo chinês tem aproveitado a crise do coronavírus para substituir cruzes com símbolos do partido e fechar templos.


Com informações da Revista Time da Revista World e da ONG Portas Abertas.