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9 coisas que você deveria saber sobre J. R. R. Tolkien


Neste mês de Janeiro de 2020, o mundo perdeu a Christopher Tolkien, filho de J. R. R. Tolkien, e maior editor de suas obras. Mas, você conhece a história de J. R. R. Tolkien? Aqui estão 9 fatos que você deveria saber sobre sua vida: 

1. John Ronald Reul Tolkien nasceu em Bloemfontein, na África do Sul em 3 de janeiro de 1892. A família de Tolkien se mudou pra Inglaterra três anos depois, quando o seu pai ficou doente. O pai de Tolkien morreu quando ele tinha 4 anos, e sua mãe quando ele tinha 12. Depois disso, ele e seu irmão foram deixados aos cuidados do Padre Francis Morgan. 
2. Após se graduar na Universidade de Oxford em 1915, Tolkien se alistou ao Exército Britânico para lutar durante a Primeira Guerra Mundial. Em seu primeiro ano de serviço, ele participou da batalha de Somme, uma das mais sangrentas da história da humanidade, onde mais de um milhão de homens foram mortos ou feridos, incluindo muitos dos amigos de Tolkien. “Em 1918, todos os meus amigos próximos estavam mortos com uma excessão”, ele escreveria depois. O biógrafo Bradley J. Birzer diz que: “Apesar de que ele passou menos de um ano na guerra, ela o afetou profundamente. Tolkien tinha perdido muitos de seus melhores amigos, e ele acreditava que a perda deles lhe dava um dever ainda maior de continuar o projeto que haviam concebido juntos, que era fazer a vontade de Deus no mundo.”
3. Durante a guerra, Tolikien foi infectado pela febre das trincheiras, uma doença moderadamente séria (seus companheiros de escrita, A. A. Milne, criador do Ursinho Pooh e C. S. Lewis, criador de Nárnia, também contraíram a doença no Fronte Ocidental). Tolkien passou o restante da guerra em recuperação ou performando tarefas de guarnição. 
4. Após deixar o exército, Tolkien trabalhou no Dicionário Oxford da Língua Inglesa (sua especialidade era a história e a etimologia das palavras de origem germânica começando com a letra W). Em 1920, ele assumiu a posição de professor na Univerdade de Leeds. Quatro anos depois, ele aceitou um emprego na Universidade de Oxford, onde permaneceu pelo resto de sua carreira. 
5. Tolkien tinha um impedimento na fala que o fazia difícil de ser compreendido, especialmente durante as aulas (C. S. Lewis disse sobre Tolkien: “Ele é mal orador.”) Apesar disso, ele era popular entre os seus estudantes e frequentemente recebia aplausos de pé. 
6. Tolkien tinha um senso de humor peculiar e gostava muito de fazer pegadinhas estranhas. Junto com Lewis, uma vez ele foi para uma festa que não era a fantasia vestido de urso polar. Ele perseguia alguns vizinhos vestido de guerreiro anglo-saxão, e nos seus últimos anos, ele colocava de brincadeira o dente postiço como pagamento para os balconistas de lojas. 
7. De 1929 a 1940, Tolkien e C. S. Lewis eram amigos próximos assim como colegas de trabalho. Tolkien trouxe Lewis de volta à fé cristã, e Lewis inspirou Tolkien a escrever e publicar as suas histórias de fantasia. (“A dívida impagável que eu devo a Lewis não foi sua ‘influência’ como normalmente entendida, mas ao puro encorajamento. Por muito tempo, ele foi minha única audiência. E só dele eu consegui ter a ideia de que minhas ‘coisas’ poderiam ser mais do que um passatempo privado.”) Depois de 1940, a amizade entre eles esfriou, devido em parte a diferenças teológicas (Tolkien era um devoto católico, enquanto Lewis era anglicano) e devido ao romance de Lewis com a americana divorciada Joy Davidman. Entretanto, após a morte de Lewis, Tolkien escreveu uma carta para sua filha, dizendo “Até agora eu senti os sentimentos normais para um homem de minha idade – como uma velha árvore que perde todas as folhas uma a uma: é como se fosse uma machadada perto de suas raízes.” Ele também se recusou a escrever um obituário para o seu velho amigo, dizendo: “Eu sinto sua perda tão profundamente que desde sua morte me recuso a escrever ou falar sobre ele.”
8. Tolkien diz que a ideia para o seu primeiro livro de fantasia de sucesso, ‘O Hobbit’, veio a ele de repente enquanto corrigia ensaios acadêmicos de seus estudantes. Ele pegou um papel em branco e escreveu: “Num buraco no chão vivia um hobbit”. Quando começou a escrever a história, Tolkien acreditava que havia inventado a palavra ‘hobbit’ (Foi revelado anos depois de sua morte que a palavra era mais antiga que o uso de Tolkien, mas tinha outro significado). Lançado em 21 de setembro de 1937, com 1.500 cópias, o livro já havia vendido todas elas em dezembro. Desde que o instituto Nielsen começou a publicar listas de livros mais vendidos em 1995, ‘O Hobbit’ nunca saiu da lista dos 5.000 mais vendidos. O livro se saiu tão bem, que os editores pediram uma sequência em 1937. Originalmente, Tolkien apresentou a eles os rascunhos de ‘O Silmarillion’, mas a proposta foi rejeitada com base na ideia de que o público ‘queria saber mais sobre os hobbits’. A resposta de Tolkien foi uma série de três livros: ‘O Senhor dos Anéis’.
9. Tolkien geralmente se colocava contra as alegorias religiosas em histórias (como as usadas por Lewis em Nárnia), mas ele considerava suas histórias de fantasias como influenciadas por sua visão de mundo religiosa: 

“’O Senhor dos Anéis’ é, certamente, uma obra fundamentalmente religiosa e católica, no começo inconscientemente, mas muito conscientemente em sua revisão. Esta é a razão pela qual não coloquei ou tirei praticamente todas as referências ao que pudesse parecer ‘religião’, cultos e práticas nesse mundo imaginário – para que o elemento religioso fosse absorvido na história e no simbolismo”.

Para Tolkien, a fantasia e os mitos refletiam uma verdade mais profunda: 

“Viemos de Deus e, inevitavelmente, os mitos desenvolvidos por nós, embora cheios de erros, refletirão pequenos fragmentos da verdadeira luz, a verdade eterna que está com Deus. Na verdade, somente através da criação de mitos, tornando-se um subcriador e inventando histórias, pode o Homem aspirar ao estado perfeito que ele conhecia antes da Queda. Nossos mitos podem ser desencaminhados, mas eles, de modo trôpego, terminam por nos levar ao verdadeiro porto”

 

Traduzido e adaptado por Rilson Guedes para o NarnianoTexto original de Joe Carter.