Como Nárnia foi criada? A origem que o filme da Netflix levará aos cinemas

A divulgação das primeiras imagens oficiais de Nárnia: O Sobrinho do Mago pela revista Empire colocou em destaque um dos cenários mais fascinantes criados por C. S. Lewis: o Bosque Entre Mundos. Sob a direção de Greta Gerwig, o novo longa-metragem da Netflix, com estreia marcada nos cinemas para 12 de fevereiro de 2027 e chegada ao streaming em 2 de abril do mesmo ano, promete apresentar ao grande público a gênese dessa terra mágica, muito antes de os irmãos Pevensie cruzarem as portas do guarda-roupa.

Para quem conheceu o universo apenas pelos filmes lançados nos anos 2000, o nascimento de Nárnia continua sendo uma história inédita. Publicado em 1955 como o penúltimo livro da série, O Sobrinho do Mago é, na ordem cronológica da narrativa, o verdadeiro ponto de partida de toda a mitologia.

O Bosque Entre Mundos e a visão de Greta Gerwig

Nas imagens recém-reveladas, as crianças Digory Kirke e Polly Plummer exploram o Bosque Entre Mundos, o coração da cosmologia de Lewis. O local não é um universo comum, mas uma zona de passagem serena e silenciosa, cercada de árvores frondosas e dezenas de poças d’água. Cada uma dessas poças funciona como um portal direto para uma dimensão diferente.

Tudo começa na Londres vitoriana por causa dos experimentos do Tio André, vivido no filme por Daniel Craig, um pesquisador egocêntrico que obriga as crianças a testarem seus anéis mágicos. Durante as viagens entre as dimensões, Digory e Polly acabam despertando a tirana Jadis, interpretada por Emma Mackey, nas ruínas do mundo em ruínas de Charn. Em meio à confusão da fuga, eles trazem a vilã consigo e acabam caindo em um imenso vácuo escuro e sem vida.

A Canção de Aslam e o nascimento do mundo

O clímax da história, que promete ser um dos grandes momentos visuais da produção com a voz de Meryl Streep como Aslam, acontece quando esse grupo testemunha o despertar de uma nova terra. No meio da escuridão absoluta, o Grande Leão não recorre a feitiços ou gestos mágicos: ele canta.

Lewis descreve a criação de Nárnia como uma grande sinfonia de luz e som. À medida que as notas musicais de Aslam ecoam pelo vazio, a grama surge como um tapete verde, as montanhas se erguem e o céu se acende com constelações vivas. Da própria terra brotam árvores, flores e animais. O autor dá vida à ideia do Fiat Lux, transformando a música na força primordial com a qual o Criador chama tudo à existência a partir do nada.

As primeiras leis e o reinado humano

Com a terra recém-criada, Aslam organiza a vida e estabelece suas leis:

  • Os Animais Falantes: O Leão escolhe pares de diversas espécies e sopra sobre eles, concedendo fala, consciência e responsabilidade moral, diferenciando-os dos bichos comuns.
  • O Governo Humano: Para reger o novo reino com justiça, Aslam coroa Franco, um cocheiro londrino que foi parar ali por acidente, e sua esposa Helena, determinando que os Filhos de Adão e as Filhas de Eva governem Nárnia.
  • A Proteção contra o Mal: Sabendo que a maldade já havia pisado naquele solo pelas mãos de Jadis, Aslam envia Digory em uma jornada até um jardim distante para colher uma maçã mágica. Plantada no solo fértil, a semente dá origem à Árvore Protetora, que mantém a Feiticeira Branca longe das fronteiras por séculos.

O ciclo que fecha a história

O desfecho do livro amarra toda a saga com precisão. Com uma maçã dada de presente por Aslam, Digory volta a Londres e cura a mãe doente. Anos depois, a madeira da árvore que cresceu daquelas sementes no quintal é aproveitada para construir o famoso guarda-roupa que acolherá Lucy no casarão do velho Professor Kirke.

Lewis não criou apenas uma aventura fantástica, ele pensou em uma narrativa completa. Da mesma forma como a história começa com a harmonia da música criadora em O Sobrinho do Mago, ela encontra seu destino final anos mais tarde em A Última Batalha. Ao trazer o Bosque Entre Mundos e o canto de Aslam para as telas em 2027, Greta Gerwig tem a chance de traduzir em imagens a raiz mais rica e poética do clássico de C. S. Lewis.

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