Merchandising de Nárnia revela detalhes de adaptação de Greta Gerwig

As primeiras pistas concretas sobre o que a Netflix pretende enfatizar em sua adaptação de O Sobrinho do Mago não vieram de um trailer, mas de uma linha de produtos.

Listagens atualizadas em lojas internacionais revelaram detalhes da coleção Funko Pop! dedicada ao filme de Greta Gerwig, primeiro capítulo da nova série de adaptações nariananas da Netflix. Ao todo, cinco figuras devem chegar ao mercado, dependendo da região: três no formato padrão, uma Super e uma Premium. Mais reveladoras que as próprias miniaturas, porém, são as descrições que as acompanham.

Uma delas afirma que “anéis mágicos podem abrir portas para mundos inteiramente novos”. Para quem conhece o romance, a menção não chega a ser surpresa: os anéis do Tio André são o mecanismo que leva Digory e Polly, e um certo porquinho-da-índia, ao Bosque entre os Mundos, ponto de partida para tudo o que vem depois. Mas é a primeira confirmação, vinda do próprio material licenciado, de que o dispositivo permanecerá central na versão de Gerwig.

Outra descrição situa o filme como “a história da criação de Nárnia”, o que conversa diretamente com o já divulgado pela Netflix, que promete ao público a experiência de “presenciar a criação de Nárnia”. Nada ali contradiz o que já se sabia: de todos os livros de C.S. Lewis, este é o que mais se aproxima de um relato de Gênesis, com um mundo cantado à existência por Aslam diante de duas crianças e uma plateia involuntária de vilões.

A frase mais sugestiva, no entanto, é a que fala em “um novo mundo que começa com um único passo através de um jardim”. Aqui vale mais cautela do que entusiasmo interpretativo: é a linha de um texto de marketing, não uma sinopse de roteiro. Ainda assim, é difícil não lembrar do Jardim do Oeste, onde Digory colhe a maçã que protegerá Nárnia em seus primeiros séculos, e da tentação que a Feiticeira Jadis lhe oferece junto ao muro, ecoando com bastante clareza a economia narrativa do Éden: um jardim, uma árvore, um fruto, uma escolha. Se essa imagem realmente ganhar peso visual no filme, seria uma escolha coerente com o próprio texto de Lewis, que constrói o livro inteiro como uma reencenação, não uma alegoria estrita, do relato da Queda.

Vale registrar a ressalva que cabe a qualquer leitura feita a partir de material promocional: descrições de produto não são roteiro, e o mesmo cuidado que se aplica a citações atribuídas a Lewis vale aqui. O que se pode dizer com segurança é que os anéis, a criação de Nárnia e a imagem de um jardim como limiar entre mundos estão, por ora, entre os elementos que a Netflix escolheu destacar publicamente, antes mesmo da chegada de um trailer. Ou seja, o filme parece se encaminhar para trazer vários elementos dos livros.

O Sobrinho do Mago estreia nos cinemas em 12 de fevereiro de 2027, antes de chegar ao catálogo da Netflix ainda naquele ano.

Com informações do NarniaWeb.

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