A adaptação de O Sobrinho do Mago, dirigida por Greta Gerwig, muda de rota. Depois de meses sendo tratado como uma aposta cautelosa da Netflix — destinada a um circuito reduzido de salas IMAX antes de migrar rapidamente para o streaming —, o filme agora vai estrear em circuito amplo nos cinemas, com uma janela de exclusividade de 45 dias. É a primeira vez que a Netflix distribui um filme dessa forma, e a decisão surpreendeu até quem acompanha de perto os bastidores da indústria.
Do IMAX limitado ao circuito completo
O plano original prometia uma estreia restrita: duas semanas em cerca de mil salas IMAX a partir do Dia de Ação de Graças de 2026, seguidas por um lançamento no streaming menos de um mês depois. Mesmo esse acordo enxuto já havia exigido negociação — a Netflix historicamente prioriza o streaming e só cede a lançamentos limitados quando há razões pontuais, como qualificar um filme para a temporada de prêmios. Segundo relatos da imprensa especializada, coube à própria Gerwig — vinda do sucesso de bilheteria e crítica de Barbie e de indicações consecutivas ao Oscar — grande parte do esforço para arrancar esse acordo inicial.
As redes de cinema, porém, não ficaram satisfeitas com uma janela tão curta. Cadeias como Regal e Cinemark chegaram a ameaçar não exibir o filme, e o próprio CEO da IMAX, Rich Gelfond, cogitou publicamente forçar os exibidores a aceitar as condições originais. As tensões seguiam sem solução em abril, durante o CinemaCon em Las Vegas.
O atraso que mudou tudo
O que parece ter destravado a nova estratégia foi um atraso na pós-produção: o filme, que já vinha de um imprevisto no set de filmagens em meados de 2025 — motivado, segundo apurado, por lesão ou problema de saúde de um dos atores principais —, não vai conseguir cumprir o prazo de estreia de 26 de novembro. Diante disso, a Netflix poderia simplesmente ter adiado a data mantendo o modelo original de lançamento restrito. Em vez disso, optou por reformular o acordo por completo.
O novo cronograma prevê pré-estreias em salas IMAX a partir de 10 de fevereiro de 2027, com expansão para o circuito completo de cinemas em 12 de fevereiro — já no feriado prolongado americano do Presidents’ Day — e uma janela de exclusividade nas salas de 45 dias, antes da chegada ao streaming em 2 de abril.
Por que a Netflix mudou de ideia
As explicações para essa guinada variam. Parte da imprensa especializada relaciona a mudança à saída, anunciada em meados de abril, do cofundador e co-CEO Reed Hastings — historicamente um defensor da política de “streaming em primeiro lugar” dentro da empresa. Outra leitura associa a decisão ao momento financeiro da Netflix, marcado por crescimento mais lento, uma base de assinantes que já não se expande no mesmo ritmo e limites naturais para seguir reajustando preços como forma de sustentar a receita.
Há ainda quem questione essa lógica: um único filme com lucro de algumas centenas de milhões de dólares dificilmente moveria o ponteiro de uma empresa cujo faturamento anual passa dos US$ 45 bilhões — mas o retorno indireto, em áreas como merchandising e fortalecimento de marca a longo prazo, pode justificar a aposta. De qualquer forma, oficialmente a Netflix nega qualquer virada de estratégia mais ampla para lançamentos no cinema, e a nova rota do marketing do filme — até aqui bastante discreta — deve se ajustar ao novo formato.
E o orçamento? Rumores de um recorde
Paralelamente à mudança de estratégia, corre um outro boato: o de que O Sobrinho do Mago pode custar mais de US$ 320 milhões, o que o tornaria o filme mais caro já produzido pela Netflix. A origem do número é mais frágil do que parece — tudo indica que partiu de um comentário informal do jornalista Matthew Belloni em seu podcast, dizendo ter ouvido que o filme seria “um dos” mais caros já feitos pela empresa, sem citar valores exatos.
A comparação com The Electric State (2025), atual detentor do maior orçamento já registrado pela Netflix, ajudou a consolidar a cifra de US$ 320 milhões como referência — mas vale lembrar que orçamentos de Hollywood raramente são números fechados: incentivos fiscais e formas de remuneração distintas (cachês fixos maiores em produções que não passam por bilheteria, como costuma ser o caso de filmes exclusivos de streaming) tornam qualquer estimativa aproximada. Ainda assim, o próprio Rich Gelfond, da IMAX, já havia dado a entender que o orçamento é robusto, ao comentar a investidores que o projeto tem um porte de blockbuster.
O que isso significa para quem espera Nárnia
Para o público que acompanha as adaptações de C. S. Lewis, a notícia é dupla: de um lado, um sinal de confiança da Netflix no projeto, disposta a arriscar seu primeiro lançamento amplo nos cinemas justamente com Nárnia; de outro, mais alguns meses de espera, já que a estreia migrou de novembro de 2026 para fevereiro de 2027. Resta acompanhar se a aposta no circuito de salas — e no orçamento robusto que a acompanha — vai se traduzir em uma adaptação à altura da obra de Lewis.
Com informações do NarniaWeb.



